Dentre carros e feridos
Dentre mortos e motos
A chuva de abril cai
Levanta a vida e vai
Lavando a rua a calcada
Tornando liso o piso
Dos que pés não tem
Rodam e levam alguém
Fossil queimado; energia
Fuligem, barulho, agonia
Buzinas em alta gritaria
Transpote de espécie falida
Chuva cai ignorando
O ser do ar frio
O ser do ar quente
Em meio tanta gente
Coletivo
Olhares perdidos
De mundos diferentes
Com fones nos ouvidos
Pensamentos distantes
O vai e vem dos bichos
Cansados e ainda famintos
Tentam passar por cima
Em pequenos espacos, buzina
O caos toma conta
De todos como afronta
Ao conforto e velocidade
Das invenções da cidade
Não há respeito, ou há
Os quase fortes são fracos
De espírito e humanidade
Amor não é sua capacidade
Ao próximo só pisar
Fortes de poder e papel
Com suas cabines duplas
Sentem-se Deuses
Deuses das escarras e putas
Fortes unidos no amor
Comprados no puteiro
Da vitrine da ostentacao
Fez do dinheiro seu calor
Destes sinto cólicas
De merda pótrida
De buchada velha
Que só serve para fossa
Mas a chuva de abril
Ignora o que fica
Ignora o que partiu
O que cala e o que grita
Vai pra puta que pariu
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